Antonieta Barros e a criação do Dia dos Professores

          Em 12 de outubro de 1948, Antonieta de Barros criou o Dia do Professor, em Santa Catarina, para que os educadores fossem vistos como importantes agentes de mudança na sociedade. Quinze anos depois, em 1963, o então presidente João Goulart tornou a lei nacional.

          Mais do que uma data comemorativa, o Dia do Professor é resultado da luta de uma mulher, filha de ex-escravos, que acredita que a educação era o caminho para o futuro.

          Nascida em Florianópolis em 11 de junho de 1901, pouco antes do pai falecer, Antonieta foi criada pela mãe Catarina Waltrick, já escrava liberta, que assumiu a responsabilidade de cuidar de Antonieta e seus irmãos, sustentando-os com o ofício de lavadeira.

          A paixão pela educação de Antonieta teve início em um dos trabalhos de sua mãe, na casa do político Vidal Ramos. Com a ajuda da família empregadora, Antonieta foi alfabetizada em uma escola particular em 1906, aos 5 anos. Quatro anos depois foi para a escola pública, e aos 16 anos, preparava-se para a Escola Normal Catarinense, que daria possibilidade de realizar o sonho de ser professora.

          Em 1922 Antonieta decidiu passar o conhecimento adquirido para outras pessoas à margem do sociedade, inaugurando o Curso Particular de Alfabetização Antonieta de Barros, que além de alfabetizar adultos, tinha como objetivo preparar os alunos para o exame de admissão do Ginásio do Instituto de Educação e da Politécnica.

          Ainda em 1922, a educadora começou a participar de movimentos políticos, afim de ampliar os ideais educacionais pelos quais lutava, com a atuação na militância Liga do Magistério, onde se tornou a primeira secretária. Três anos depois, passou a participar do Centro Catarinense de Letras, onde se tornou membro da diretoria.

          Antonieta assumiu o posto de escritora e jornalista em 1926, sendo uma das poucas mulheres que exerciam essa função, ainda mais no estado catarinense. Sua intenção era levar as mudanças necessárias no Estado a mais pessoas, como questões sociais, o crescimento educacional, redução do analfabetismo e definições dos papéis sexuais. Nessa mesma época, utilizando o pseudônimo Maria da Ilha, fundou o jornal A semana, além de contribuir para a Folha Acadêmica, O Idealista, Correio do Estado e O Estado.

          Em 1932, O Jornal República publicou um artigo onde Antonieta fez críticas fortes à falta de oportunidades das mulheres seguirem com uma formação continuada estudantil nas faculdades. A educadora criticava a gestão de Irineu Bornhausen, governador do Estado na época, afirmando que ele não estava preocupado com o fato de a educação ser acessível para todos. Para mudar a situação educacional, Antonieta candidatou-se a uma cadeira na Assembleia Legislativa em 1934, pelo Partido Liberal Catarinense. Antonieta foi a primeira deputada estadual a ser eleita no estado após ter sido concedido o direito de voto às mulheres.

          Ainda assim, continuou dando aulas e a escrever os jornais, e em 1937 reuniu os principais artigos em um livro, chamado Farrapos de ideias. Todo o lucro do livro foi doado para a construção de uma escola para abrigar filho de pessoas afastadas da sociedade por lepra.

          Por conta de tantas ações positivas, Antonieta foi eleita deputada novamente, mas apesar de apreciada por uma parte da população, sua postura revolucionária fez com que ela fosse atacada por diversas personalidades da época, com, inclusive, falas racistas. Antonieta não se abatia com as ofensas, e quando possível, respondia publicamente a elas.

          Em 28 de março de 1952, Antonieta faleceu por complicações de um quadro de diabetes. No entanto, seu legado permanece vivo até os dias atuais. Em sua homenagem, foi criada a Medalha de Mérito Antonieta de Barros, que homenageia pessoas que criam trabalhos relevantes ou que destacam-se na luta pelos direitos das mulheres.

          Seu nome também está no Prêmio Antonieta de Barros, criado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, para reconhecer jovens comunicadores negros do país.

          Antonieta de Barros foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira da Assembleia de Santa Catarina, seguida por – apenas – outras 15, e nenhuma delas negra.

          Assim nasceu o Dia do Professor, criado por uma heroína brasileira, que sempre lutou pelo direito à educação.

          A Faculdade ITEQ Escolas parabeniza a todos os professores por vencerem os desafios do dia-a-dia.

          Feliz dia dos Professores.

Por: Kaíque Iengo

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