Projetos e Projeções · Vol. 40 · Edição 40 · 30 de abril de 2026
Barbie e Feminismo: Pedagogias de Gênero e Polifonia de Vozes Femininas no Cinema Contemporâneo
Alessandra Regina Yabe
Páginas 48–59 (12 páginas) · ISSN 2595-9042
Resumo
Este artigo analisa a representação de vozes femininas no filme "Barbie" (2023), dirigido por Greta Gerwig, à luz das teorias feministas contemporâneas. Fundamentado nas contribuições de Chimamanda Ngozi Adichie e bell hooks sobre feminismo, Guacira Lopes Louro sobre pedagogias de gênero, e Laura Mulvey sobre o olhar cinematográfico, o estudo examina como o filme problematiza a boneca Barbie enquanto artefato pedagógico que historicamente transmitiu padrões específicos de feminilidade. A análise demonstra que o filme opera uma polifonia de vozes femininas, recusando narrativas únicas sobre o que significa ser mulher e apresentando múltiplas perspectivas — desde a Barbie idealizada até personagens que criticam e ressignificam esse ícone. A jornada da protagonista constitui processo de desaprendizagem das pedagogias de gênero internalizadas em Barbielândia, confrontando estruturas patriarcais e escolhendo autonomia sobre idealização. O filme subverte o male gaze ao dar consciência à Barbie sobre sua condição de objeto do olhar, transformando-a de espetáculo passivo em sujeito que questiona e resiste. Conclui-se que, apesar de contradições e limitações, o filme contribui para debates feministas contemporâneos ao transformar um dos símbolos mais controversos da feminilidade idealizada em espaço de reflexão crítica sobre gênero, representação e autonomia.
Palavras-chave
- Feminismo
- Pedagogias de gênero
- Cinema
- Barbie
- Representação feminina